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Quinto andar do Instituto de Química da Ufba é reinaugurado após nove anos

Foto: Evandro Veiga/CORREIO

Deu tempo de muita coisa acontecer desde que um incêndio atingiu o quinto andar do Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (Ufba), há nove anos. De lá pra cá se passaram três Copas do Mundo, os brasileiros foram às urnas em quatro oportunidades. Foi tempo suficiente para o Brasil chegar às vésperas de conhecer um terceiro presidente. Só depois disso tudo, o quinto andar do Instituto de Química (IQ), que pegou fogo no dia 21 de março de 2009, foi reinaugurado na manhã desta quinta-feira (6).

O local fica em um dos 167 prédios em atividade no parque imobiliário da Ufba, segundo o vice-reitor da universidade, Paulo Miguez, que esteve presente na cerimônia de entrega. Junto com a direção do IQ, alunos e professores. Ele não informou o valor investido na obra.

Segundo Miguez, a demora para finalizar as obras no quinto andar do Instituto foi fruto, especialmente, da dificuldade orçamentária da Ufba. Além disso, confessou que as “especificidades do equipamento”, que conta com laboratórios e equipamentos singulares, influenciaram diretamente no longo período de espera.

Mais segurança
Diretor do IQ, o professor Dirceu Martins explicou que a entrega do quinto andar vai “contribuir muito” com a comunidade e que a reinauguração é fruto de “um trabalho muito grande e árduo”. Ele contou que houve melhorias no sistema de segurança, que agora conta com alarmes, aparelhos detectores de calor e incêndio, numa área de 1,2 mil metros quadrados.

A reinauguração também muda a dinâmica no Instituto, que é dividido em quatro departamentos: Química Geral e Inorgânica, Química Orgânica, Química Analítica e Físico-Química. Esse último ficava no quinto andar na época do incêndio e agora passa para o primeiro. O Departamento de Química Orgânica passa para o quinto.

Segundo o diretor, a mudança acontece pensando em uma melhoria na segurança e saúde da comunidade do IQ. “O Departamento de Química Orgânica é quem mais gera vapores, gases insalubres. Isso agora vem do quinto andar, como deveria ser desde o início”, explicou.
Laboratórios

Na Ufba desde 2015, a estudante Luana Rodrigues, 20 anos, vai trabalhar em um dos 18 laboratórios reformados no quinto andar, que também tem 20 gabinetes para professores.

Para a jovem pesquisadora, a mudança traz maior comodidade para os cerca de 30 integrantes de seu grupo de pesquisa. “Diferente de onde a gente estava antes, todas as salas têm ar-condicionado e uma estrutura melhor para receber nossas pesquisas e reuniões”, disse.

O grupo que a estudante faz parte trabalha com a observação de plantas e micro-organismos em busca de descobrir novos remédios. Além disso, a pesquisa também é aplicada visando “desenvolver novos métodos de extração para substâncias que tenham aplicações nas áreas de química fina, obtenção de fármacos e cosméticos, biotecnologia e agroindústria”.

Entusiasmo
A entrega é vista com bons olhos por quem já não faz mais parte do curso de Química. É o caso de Lucas Vinícius Santana, 22, que estudou no Instituto por três anos antes de decidir mudar sua área de estudo. No momento, ele tenta ingressar em Administração, mas tem memórias vivas da antiga situação no prédio, que classifica como “abandonada e inutilizada”.

“Praticamente nenhum laboratório estava funcionando e era bem difícil para fazer as coisas”, lembrou. O estudante era parte de um grupo de pesquisa no Departamento de Química Geral e Inorgânica e lembra, com tristeza, que após o incêndio “os laboratórios foram deslocados de lugar e tudo teve que se adaptar. Essa adaptação não aconteceu da melhor forma pela falta de estrutura”.

Ele disse que a estrutura do IQ pouco influenciou na decisão de mudar o curso e comemorou a notícia da reforma, desejando progresso aos que ficaram. “Toda melhoria dentro da Universidade é sempre bem-vinda. Tomara que não pare por aí”, disse.

Incêndio
Era para ser apenas mais um sábado de março, mas aquele dia 21, em 2009, foi diferente, ao menos para alunos, servidores e funcionários do Instituto de Química da Ufba. O incêndio que atingiu o quinto andar do prédio só foi contido após quatro horas de operação conjunta entre Bombeiros e professores do Instituto, que orientavam os profissionais para tentar evitar uma tragédia ainda maior: no local, havia muitos produtos inflamáveis.

No quinto andar funcionava o Departamento de Físico-Química, mas outras áreas do prédio também foram atingidas. Em reportagem publicada em 2015, o CORREIO mostrou que o Departamento de Química Analítica também sofreu prejuízos, como a perda de equipamentos e documentos que molharam no decorrer da ação dos Bombeiros.

Toda a unidade passou por mudanças forçadas após o incêndio. “O Instituto vinha funcionando de uma forma relativamente improvisada, se adequando à nova realidade depois do incêndio. Afetou tanto o Departamento de Físico-Química como os outros, mas os professores de Físico-Química foram os mais afetados. Tiveram que construir gabinetes improvisados em outras dependências do prédio”, lembra a professora Lílian Simplício.

A reinauguração foi um alívio, mas Simplício confessa que ainda aguarda uma “reestruturação mais completa” no Instituto de Química da universidade.

Ela conta que entende as diversas razões para que essas melhorias não aconteçam de forma mais integrada, devido, principalmente, às dificuldades de orçamento. Mesmo sem “as melhores condições”, o trabalho no Instituto segue operante. Segundo o site oficial do IQ, existem 22 grupos de pesquisa ativos por lá.

Fonte: Correio 24 horas