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Fungos endofíticos são usados na produção de biossurfactantes

24 ABR 2020 - 00H00 | ATUALIZADA EM 24 ABR 2020 - 15H56

Manaus – Atualmente diversos produtos são apresentados com a promessa de trazer praticidade aos usuários e proteger o meio ambiente, mas nem sempre eles cumprem o que prometem. Por isso, cientistas amazonenses extraem fungos endolíticos isolados de plantas amazônicas, para serem usados na produção de biossufarctantes, presente nos conhecidos produtos de limpeza, para beneficiar o meio ambiente.

O estudo é fruto do projeto “Estudo da produção de biossurfactantes por fungos endofíticos utilizando resíduos como substrato”, desenvolvido no Laboratório de Química Aplicada à Tecnologia da Escola Superior de Tecnologia (EST) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), por alunos do curso de doutorado em Biodiversidade e Biotecnologia da Rede Bionorte.

O projeto recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e teve início em 2013, por meio da pesquisa do trabalho de mestrado do então coordenador Dr. Messe Elmer Torres da Silva, e foi finalizado em 2019, o coordenador destacou que o protejo buscou mostrar o potencial dos fungos utilizados.

“Usamos alguns fungos endofíticos isolados de espécies de plantas tropicais, como pimenta de macaco e vassourinha, que apresentam na produção, moléculas tensoativas também conhecidos como biossurfactante e definir condições de processo que favoreçam a obtenção dessas substâncias, reaproveitando resíduos de óleo de fritura e lubrificante como fonte de carbono para sua produção, buscando também tornar o processo viável economicamente, deixando estas substâncias mais atraentes comercialmente”, explicou o coordenador.

Biossurfactantes
Os pesquisadores presentes no projeto produziram biossurfactantes utilizando como matéria-prima óleos residuais de fritura e lubrificante. Segundo Messe, os biossurfactantes apresentam ampla variedade de aplicações e são largamente utilizados na indústria, principalmente em produtos de limpeza, como detergentes pela capacidade emulsionante, ou seja, de interagir com diferentes líquidos, como as misturas de água e óleo.

“Os biossurfactantes apresentam uma ampla variedade de aplicação que incluem biorremediação, biodegradação, limpeza de reservatório de óleos, além de serem empregados nas indústrias de alimentos, farmacêutica, cosméticas, dentre outras”, ressaltou.
No desenvolvimento do estudo, o biossurfactante produzido pelos fungos mostrou que pode ser utilizado no processo natural de descontaminação utilizando microrganismos, ou seja, como um detergente biodegradável que pode ser empregado, por exemplo, na recuperação de áreas ambientais atingidas por derramamento de petróleo.

Benefícios
Os biossufactantes produzidos pelos fungos endolíticos apresentam benefícios como biodegradabilidade e baixa toxidade, ou seja, são facilmente degradados na água e no solo, tornando-os adequados para serem utilizados em tratamento de resíduos e podem ser utilizados na higienização de alimentos, cosméticos e produtos farmacêuticos por possuírem poucos produtos artificiais, ideal para usuários alérgicos.

Durante muito tempo, moléculas bioativas eram obtidas diretamente de extratos ou óleos essenciais de plantas, resultando no desmatamento de muitas delas para obter determinadas substâncias naturais. Pensando nisso, a produção também traz benefícios ecológicos uma vez que não é necessário matar as plantas para obter as substâncias.

Os microrganismos são isolados, apresentam o mesmo potencial de produção da molécula de origem, evitando o desmatamento das plantas por meio de moléculas ecologicamente corretas.

As moléculas ecologicamente corretas presentes na matéria trazem benefícios ainda maiores para o meio ambiente, pois não apresentam riscos de contaminação devido à alta biodegradabilidade sendo recomendado na recuperação de áreas contaminadas com petróleo e outros resíduos tóxicos”, esclareceu Messe. 

Fonte: Emtempo