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Projeto de nanotecnologia reflete sobre a importância da ciência na educação básica

Que os avanços na ciência nos últimos anos são notórios, não há o que discutir. Mas no que diz respeito ao ensino da área no Brasil na educação básica, qual é exatamente o nosso cenário?

Tendo isso em mente, o cientista Delmarcio Gomes da Silva deu asas à um sonho e impulsionou um projeto ousado, porém importante e que atende a uma das áreas de maior deficiência no país hoje em dia. Formado em Química pela Universidade de Juiz de Fora e com doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), ele palestrou sobre a importância do ensino dessa modalidade científica, utilizada para a construção de componentes inteligentes e de alta tecnologia, nas escolas brasileiras.

Para propagar a importância de inserir o tema na grade curricular das instituições, Delmarcio se valeu dos exemplos educacionais das escolas americanas, que desenvolvem matérias voltadas para a nanotecnologia desde o início dos anos 2000, quando o país começou a propagar informações acerca da área, com o intuito de aproximar a universidade da indústria. “O ensino no Brasil precisa ser modificado e melhorado. É importante que tenhamos a inserção de novos projetos, com informações sobre a nanociência no ensino básico. Se não falarmos sobre isso na educação, o nicho fica muito restrito”, afirma ele.

Hoje em dia, a nanotecnologia é discutida e estudada profundamente somente no ensino superior no país. Para ele, é importante ampliar a educação para que a área desperte o interesse em estudantes com temas interdisciplinares e avançados, fazendo com que a mesma tenha uma expansão e que a grade curricular obrigatória saia do lugar comum. Para seguir com o projeto, que já conta com o apoio da legislação brasileira, Delmarcio cita exemplos, como questões interdisciplinares do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2016, que citaram a nanotecnologia em perguntas bem elaboradas que exigiam interpretação de texto para resolução de exercícios de química e biologia.

“Precisamos pensar em formas de melhorar tanto a dinâmica das aulas como a elaboração do material didático, a ampliação de referências e a reflexão da importância do desenvolvimento sustentável. Dessa forma, despertamos no aluno um interesse maior em aprender e desenvolver a ciência, o que resulta em novas pesquisas e na formação de novos profissionais na área”, explica Delmarcio.

Algumas instituições no país, sobretudo em São Paulo, já reforçam a nanotecnologia como uma área a ser colocada em primeiro plano, sendo que a mesma já foi abordada e estudada em projetos de instituições como o Colégio Bandeirantes, a Etec Osasco e a Universidade Presbiteriana Mackenzie. Para reforçar o sucesso de elaborar novas matérias, Delmarcio cita como o exemplo o seu projeto de disciplina eletiva no Colégio Santa Cruz em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. Na ocasião, foram 27 alunos inscritos no programa, que abordou o que ele acredita ser um dos fatores mais importantes dentro do ramo da ciência contemporânea: a sustentabilidade.

Durante as aulas, os alunos acompanharam um experimento de nanopartículas de cristais em um saco plástico para analisar a preservação de uma maçã, comparando-a com o processo de decomposição natural do mesmo alimento inserido em outro saco plástico sem a substância. Ao final de algumas semanas, a primeira maçã encontrava-se em perfeito estado, enquanto que a outra mostrava-se em um avançado processo de putrefação. Para ele, o uso de sacos plásticos com nanopartículas de cristais é um ótimo exemplo de como preservar alimentos e determinados objetos, principalmente no que concerne ao ambiente hospitalar, que exige o uso de plásticos para roupas, objetos e afins – e cujo projeto ajuda a ampliar sua durabilidade.